sábado, março 20, 2010

Encontradas ferramentas de pedra lascada na ilha do Homo floresiensis


Muito antes do Homo floresiensis viver na Ilha das Flores, localizada na Indonésia, outros seres humanos colonizaram aquela região. Isso está claro para a ciência, mas até agora, se pensava que "nós" havíamos chegado lá por volta de 880.000 anos atrás. As novas descobertas apontam que esta chegada foi há pelo menos um milhão de anos atrás.

A equipe relata a descoberta de ferramentas humanas feitas de pedra lascada. O grupo diz que as descobertas trazem uma nova dimensão para a nossa compreensão da história de Flores e da evolução humana.

O chefe da equipe da Universidade de Wollongong, na Austrália, Dr. Adam Brumm, disse à uma rede de TV Inglesa que a localização e as condições de conservação das ferramentas "significam que a ocupação humana da ilha poderia se estender profundamente no passado. O que é realmente interessante sobre isso é que nós efetivamente não sabemos a quanto tempo os hominídeos chegaram em Flores".

Os restos do Homo floresiensis, foram descobertos há cinco anos na caverna de Liang Bua. A pequena criatura foi uma sensação, porque era uma espécie humana diferente da nossa e que viveu ao nosso lado naquela ilha a menos de 20.000 anos atrás. Após a divulgação do fóssil, a ilha foi alvo de uma verdadeira corrida paleontológica.

A caverna do afamado H. floresiensis está localizada no oeste da ilha. As novas descobertas foram encontradas na Bacia de Soa, uma área no centro-oeste de Flores. A escavação conhecida como "Mata Menge" já tinha revelado ferramentas datadas de 880.000 anos atrás. Agora, a apenas 500 metros de distância, porém muito mais enterradas, as "novas" ferramentas foram encontradas no ponto que foi batizado com "Wolo Senge".

Estas são ferramentas manuais, provavelmente eram usadas pra dilacerar carne entre outras funções rústicas. O sedimento onde foram encontradas é uma camada de cinzas vulcânicas que foram datadas com um pouco mais de um milhão de anos de idade.

Os cientistas não podem dizer nada sobre quem usou essas ferramentas. Há um número insuficiente delas para avaliar que cultura as produziu, mas a sua mera descoberta levanta algumas questões interessantes.

Por exemplo, as descobertas Mata Menge estão associadas com o desaparecimento dos registros fósseis de uma série de espécies animais, como um tipo de elefante pigmeu e uma tartaruga gigante.

A conclusão anterior é de que estes animais tinham sido extintos pelo homem em sua chegada, que os caçou até não sobrar mais nenhum. Porém, os resultados Wolo Sege colocaram uma nova perspectiva sobre esta história. Eles mostram que os hominídeos devem ter vivido por lá, ao lado destes animais, por pelo menos, 120.000 anos.

A noção de que Flores possui uma história muito antiga de ocupação antrópica vai alimentar o debate sobre as origens do "hobbit" floresiensis. Muitos cientistas acreditam que o nanico evoluiu de uma criatura muito maior, o Homo erectus, que ficou isolado e diminuiu ao longo do tempo.

Outros apontam que alguns recursos no corpo do "hobbit" - como o comprimento de seus pés e o formato de sua cintura escapular - são muito primitivos e não seriam prováveis de se encontrar em Homo erectus "anões".

Estes pesquisadores propuseram a idéia de que o H. floresiensis pode ter evoluído de criaturas mais arcaicas que teriam deixado a África para colonizar a Ásia, mesmo antes do H. erectus. "Nossa descoberta em Wolo Sege certamente vai abrir as portas para essa teoria controversa,'' disse o Dr. Brumm.

Fonte: BBC news
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