quarta-feira, março 24, 2010

Mosquitos transgênicos para combater doenças tropicais?



Pesquisadores Japoneses esperam um dia poder transformar mosquitos sugadores de sangue, em vacinadores alados. Estes insetos transgênicos poderiam, e segundo eles, ainda vão, inocular remédios milhões de vezes sem cobrar salário.

Um novo estudo mostra a que promessa é real, será preciso apenas resolver algumas questões técnicas para fazer estes insetos virarem heróis. O estudo está sendo realizado pela universidade de Tóquio onde os pesquisadores já modificaram geneticamente uma espécie de mosquito, para que a saliva passasse a conter uma determinada proteína, que age como vacina contra a leishmaniose.

"A equipe confirmou que os ratos picados pelo mosquito transgênico desenvolveram um anticorpo para a doença, o que significa que construíram a imunidade", disse Shigeto Yoshida, o professor que liderou a pesquisa.

"Dessa mesma forma, os mosquitos podem ser usados no futuro para ajudar a combater a malária, talvez daqui a uma década. E o bom é que eles não cobram e vão até as pessoas, vacinando-as mesmo sem elas perceberem. Mais picadas só fortalecem a imunidade", complementou.

Por agora, o problema é que não existe vacina eficaz contra a malária, isso acontece porque o antígeno para ela sofre alterações com frequência. No entanto, Yoshida espera que a ciência chegue a uma solução, e que o mosquito transgênico acabe por livrar o mundo desta terrível doença.

Quase um milhão de pessoas morrem anualmente de malária - a maioria delas crianças - sobretudo na África e Ásia, segundo a World Health Organization. Existem vários anti-maláricos, mas nenhum deles é universalmente eficaz.

"Existe o tratamento, mas ele está fora de alcance para pessoas que precisam se preocupar com a comida do dia seguinte. A malária é uma doença intimamente ligada à pobreza e sendo assim o mosquito-vacinador importa muito." Disse Yoshida, que é especialista em malária.

Ele admitiu que a nova abordagem pode levantar questões éticas, tanto sobre transgenia quanto sobre a realização de vacinações sem consentimento informado. "Tecnicamente falando, eu acredito que é uma questão que será resolvida em pouco mais de 10 anos, mas é bem diferente saber se a sociedade aceitará isso tão rapidamente", disse ele.

Outro problema apontado é que o mosquito-vacinador pode espalhar o sangue contaminado de uma pessoa com malária para outras que estejam saudáveis, como qualquer mosquito transmissor de malária. A equipe de Yoshida espera resolver este problema, fazendo com que o mosquito também mate os Plasmodium sp. (protistas que causam a malária) de seu corpo.
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